Sem aliança, Flávio chega à convenção sob críticas do Centrão por favorecer família e falhar na articulação política.
BRASÍLIA – A convenção nacional do PL que irá acontecer no dia (25/07) e oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência ocorre em meio a críticas de lideranças do Centrão sobre a condução das negociações para a formação da chapa e da aliança eleitoral. Considerado até então o integrante mais político da família Bolsonaro, Flávio é alvo de queixas por parte de dirigentes de partidos como União Brasil, PP e Republicanos, que apontam dificuldades na articulação e decisões consideradas pouco estratégicas.
Nos bastidores, interlocutores dessas legendas afirmam que a expectativa era de que Flávio conduzisse um processo de negociação capaz de ampliar o arco de alianças do PL. No entanto, as conversas não avançaram, e os partidos decidiram permanecer fora da coligação presidencial.
Entre os principais motivos de insatisfação está a percepção de que o senador priorizou interesses da própria família nas definições da campanha. Lideranças do bloco criticam a condução do episódio envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que chegou a ser cogitada para ocupar a vaga de vice, mas acabou ficando fora da composição.
Outro ponto de desgaste foi a escolha do candidato a vice-presidente, decisão que, segundo dirigentes partidários, ocorreu sem ampla negociação com os aliados em potencial. A avaliação é que a definição reduziu o espaço para acomodar outras forças políticas e dificultou a construção de uma frente mais ampla.
Também é alvo de críticas a atuação do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Integrantes do Centrão afirmam que houve falhas de coordenação entre as lideranças responsáveis pelas negociações, contribuindo para o fracasso da tentativa de reunir União Brasil, PP e Republicanos em torno da candidatura do PL.
Sem o apoio formal dessas legendas, Flávio Bolsonaro chega à convenção com uma base política mais restrita do que a projetada por aliados no início das articulações. Apesar disso, integrantes do PL afirmam que a campanha seguirá apostando na força do eleitorado conservador e na capilaridade do partido nos estados para compensar a ausência de uma coalizão mais ampla.
Nos bastidores, dirigentes do Centrão avaliam que ainda há espaço para entendimentos regionais durante a campanha, mas consideram improvável uma mudança no cenário da disputa presidencial após a oficialização das candidaturas.
Por redação/Pontal do Sertão.
Comentários