Venda de seminovos dispara, mesmo com preços acima do carro zero, impulsionada pelo trabalho por aplicativo.

📷 Foto: Reprodução/TV Mirante.

Segmento de usados deve bater recorde em 2025 e já responde por um volume cinco vezes maior que o de veículos novos no país.

A venda de veículos seminovos e usados vive um momento histórico no Brasil. Mesmo com preços que, em muitos casos, superam o valor de carros zero-quilômetro equivalentes, o segmento segue em forte expansão e deve bater novo recorde de comercialização neste ano. Hoje, os usados já são vendidos em um ritmo cerca de cinco vezes maior do que os veículos novos, segundo estimativas do setor automotivo.

O fenômeno é explicado por uma combinação de fatores econômicos e sociais. A alta nos preços dos carros novos, pressionados por custos de produção, tecnologia embarcada e impostos, afastou parte dos consumidores das concessionárias. Ao mesmo tempo, os juros elevados encarecem o financiamento, tornando o seminovo a alternativa mais viável para quem precisa de um veículo imediatamente.

Outro motor decisivo desse crescimento é o avanço do trabalho por aplicativos. Motoristas de transporte por app e entregadores passaram a buscar carros usados e seminovos como ferramenta de trabalho, priorizando disponibilidade rápida e menor burocracia. “Para quem depende do carro para gerar renda, esperar meses por um modelo zero não é opção. O seminovo entrega retorno imediato”, avalia um lojista do setor.

Mesmo com a valorização dos usados — que se intensificou após a pandemia e ainda não cedeu totalmente — a demanda segue aquecida. Modelos com histórico de boa manutenção, baixa quilometragem e procedência garantida chegam a custar mais do que versões novas, sobretudo quando há fila de espera nas montadoras.

Além disso, a escassez pontual de determinados modelos e a desvalorização mais lenta dos seminovos reforçam a percepção de que o usado “vale mais a pena” no médio prazo. Para muitos consumidores, o carro deixou de ser apenas um bem de consumo e passou a ser visto como investimento ou instrumento de trabalho.

Especialistas apontam que o cenário deve se manter ao longo do ano. Enquanto o crédito continuar restrito e os preços dos veículos novos seguirem elevados, o mercado de usados tende a concentrar a maior parte das vendas. O desafio do setor agora é garantir transparência, qualidade e segurança nas negociações, diante de um público cada vez mais numeroso e exigente.

Com esse ritmo, o mercado de seminovos consolida sua posição como principal força do setor automotivo brasileiro, redefinindo hábitos de consumo e confirmando que, hoje, o carro usado deixou de ser segunda opção para se tornar a escolha principal de milhões de brasileiros.

Por redação/Pontal do Sertão. 

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