A Chapada do Araripe, localizada na região sul do estado do Ceará, é um território de grande importância ecológica e cultural, abrigando uma biodiversidade única que inclui o famoso pequi, fruto típico da caatinga e essencial para a gastronomia e economia local. A coleta de pequi, realizada de forma artesanal e sustentável, é uma tradição profundamente enraizada nas comunidades caririenses, sendo um elo entre as gerações e o meio ambiente.
Assistam o vídeo.
A Importância do Pequi para a Região:
O pequi é uma planta nativa do bioma da caatinga, é amplamente utilizado na culinária regional, principalmente em pratos típicos como o arroz com pequi, que atrai turistas e residentes. Além disso, o fruto também é rico em nutrientes, como vitamina A e antioxidantes, sendo considerado um alimento funcional.
A coleta do pequi acontece, em sua maior parte, entre os meses de dezembro e fevereiro, período de frutificação das árvores que crescem nas serras e veredas da Chapada do Araripe. A região que abrange municípios como Crato, Barbalha, Jardim Porteiras, Juazeiro do Norte e outros regiões, se destaca pela preservação ambiental e pelo manejo sustentável dessa atividade.
O Processo de Coleta: Tradição e Sustentabilidade
A coleta do pequi é feita de forma manual e outros utensílios simples que garantem que o fruto seja retirado das árvores sem causar danos à planta. Os coletores, em sua maioria, são moradores tradicionais da região, conhecidos por suas habilidades adquiridas ao longo dos anos e transmitidas de geração em geração. “É uma atividade que requer muita paciência e cuidado.
O pequi deve ser coletado no ponto exato da maturação para garantir que ele tenha sabor e qualidade”, explica o agricultor Francinaldo, morador da Comunidade Serra da Mata em Porteiras e coletor de pequi há mais de 20 anos.
Uma das grandes preocupações dos coletores é a sustentabilidade. A coleta, quando feita de maneira responsável, não prejudica a árvore e pode ser repetida por vários anos. A preservação das áreas de pequi é essencial para manter o equilíbrio do ecossistema local e garantir a continuidade da atividade.
“Hoje, muitos dos jovens estão aprendendo como fazer essa coleta de forma sustentável. Não basta apenas tirar o fruto; é preciso respeitar o ciclo da planta e o meio ambiente em que ela vive”.
A Economia do Pequi: Entre o Mercado Local e o Turismo:
O pequi é uma fonte de renda significativa para muitas famílias da Chapada do Araripe. Após a coleta, os frutos são vendidos em mercados regionais, feiras e também para quem produzem conservas, óleos e outros derivados. O turismo também tem se mostrado uma importante alternativa para ampliar a economia local, com muitos visitantes vindo à região para experimentar a culinária local, que tem no pequi um de seus maiores atrativos.
No entanto, a coleta ilegal, feita sem respeito às normas ambientais, tem sido um desafio crescente. A falta de fiscalização em algumas áreas e o crescente interesse comercial pelo pequi, especialmente em mercados fora da região, geram uma pressão sobre as árvores, comprometendo a sustentabilidade da prática.
A Ameaça do Desmatamento e os Desafios para a Sustentabilidade:
O desmatamento ilegal e a expansão de atividades agropecuárias na região da Chapada do Araripe são problemas que impactam diretamente a coleta do pequi. A destruição da vegetação nativa compromete o habitat natural do pequi e outras espécies da caatinga. A escassez de árvores frutíferas dificulta o trabalho dos coletores e ameaça o modo de vida das comunidades que dependem dessa prática.
Por redação/Pontal do Sertão.
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